Maconha, cérebro e saúde coletiva. Texto do discente Paulo Ricardo Licar

Olá! Iniciaremos agora uma série de publicações sobre cannabis. O texto de hoje é introdutório e conta um pouco da história da cannabis no Brasil e no mundo.

A Cannabis sativa, popularmente conhecida como maconha, é considerada por muitos a droga mais polêmica do mundo. A primeira referência para fins medicinais data de 2.727 a.C. pelo imperador chinês Shen Neng. A planta tem origem no Afeganistão e era também utilizada na Índia em rituais religiosos.

O cultivo da maconha se expandiu da Índia para a Mesopotâmia, depois para o Oriente Médio, Ásia, Europa e África.

No século XX, a maconha ainda era uma droga lícita e que rendia muito dinheiro para quem a produzia, mas se tornou pouco aceita por associarem a erva a pessoas de classe mais baixa. Vale destacar que os produtores de maconha mundo afora já estavam habituados com seu cultivo e uso, mas o preconceito foi mais forte, levando a restrições e proibições.


A primeira referência sobre a proibição da Cannabis foi em 1764, quando o imperador francês Napoleão Bonaparte invadiu o Egito. No Brasil, o primeiro documento proibindo o uso da maconha publicado pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro é do ano de 1830.


Na década de 1960, o cientista israelense Raphael Mechoulam conseguiu identificar e isolar os principais componentes da cannabis: o CBD (canabidiol) e o THC (tetra-hidrocanabinol). Tal descoberta revolucionou a literatura que envolvia a planta e pode ser considerada como um dos grandes marcos da ciência contemporânea (abordaremos a atuação desses componentes em nosso sistema nervoso central na próxima publicação).

 

Atualmente há inúmeras discussões e estudos em torno do assunto. De um lado, pessoas que apoiam sua liberação para uso terapêutico, como já é feito em lugares como Alemanha, Holanda, Bélgica, Espanha, Itália, França, Inglaterra e Dinamarca, Austrália, Estados Unidos e Canadá. De outro lado, pessoas mais conservadoras que alegam que a maconha além de ser prejudicial, pois aumenta a propensão à esquizofrenia, é porta de entrada para o uso de outras drogas (questões que serão abordadas na terceira parte do nosso texto).

Agora fica a pergunta: A maconha deveria mesmo ser proibida? Os danos à saúde causado pelo uso da cannabis existem, porém, é evidente que a proibição é uma decisão tomada sob perspectiva política, e não de saúde.





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